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sábado, 18 de maio de 2013

Detentos teriam plano de rebelião para atrair juiz e matá-lo em penitenciária de MG.

O juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Juiz de Fora (278 km de Belo Horizonte) seria executado a tiros dentro da penitenciária José Edson Cavalieri, situada na cidade mineira, na primeira semana de junho deste ano.

O chamariz para atraí-lo ao local seria a deflagração de uma rebelião, na qual os presos exigiriam a presença do magistrado Amaury de Lima e Souza, sob pretexto de a negociação para o fim da revolta somente ser feita com ele.

A descoberta do suposto plano desencadeou a operação denominada "Impacto", autorizada na semana passada pelo próprio magistrado. Um pente-fino foi realizado na unidade prisional, na tentativa de localizar armas no presídio, sem êxito, e depoimentos de detentos do local foram colhidos. O local comporta 360 presos, mas atualmente conta com 390 confinados.

A motivação para a execução de Souza seria o aumento da... fiscalização no local para coibir a entrada de drogas e aparelhos celulares. Um agente penitenciário também seria morto na ocasião.

"Existe a suspeita da existência de duas pistolas nove milímetros escondidas dentro da penitenciária. Nos depoimentos colhidos, alguns dos presos falaram que viram dois carregadores de pistolas parecidos com esse calibre", afirmou o juiz, que complementou afirmando ter sido feito um pente-fino na unidade prisional, mas as armas não foram encontradas.

A operação contou com a participação de policiais militares e civis, membros do Ministério Público (MP). O juiz disse que, mesmo com a operação, não descartou a presença das pistolas dentro da unidade prisional.

"Elas podem ter sido dispensadas depois da descoberta do plano. Mas é uma penitenciária muito antiga e muito grande, tem muito local para escondê-las", descreveu Souza.

Um agente penitenciário, cujo nome não foi revelado, foi preso acusado de supostamente ter vendido detalhes da rotina de trabalho e da vida pessoal do juiz para os presos por R$ 30 mil. Ele também é acusado de facilitar a entrada de drogas e celulares na penitenciária.
Revista em mulheres de presos

O juiz disse acreditar que, além do endurecimento da fiscalização para tentar impedir a entrada de entorpecentes e celulares no local, outra medida que vinha sendo praticada por ele causou insatisfação em alguns presos.

"Quando havia suspeita que mulheres de presos estavam com drogas ou celulares escondidos no corpo, eu expedia uma ordem para a condução coercitiva delas a um hospital para que se fizesse o exame ginecológico", explicou.

Conforme Souza, somente neste ano, dezenove mulheres de detentos foram presas flagradas com drogas ou celulares.

"Alguns presos que tinham permissão para saídas temporárias, os chamados de bom comportamento, também estariam voltando com drogas e celulares escondidos no corpo. Em dois casos, nos quais houve a determinação para que fossem levados ao Hospital de Pronto-Socorro da cidade, os médicos identificaram risco de vida para os detentos por causa do rompimento de cápsulas de drogas e tiveram que operá-los", afirmou.

Souza disse que, desde então, passou a ser recorrente o boato entre os presos dando conta que ele estaria determinando aos médicos para "abrir a barriga" dos detentos.

"Eu não estou mandado abrir nenhuma barriga. Eu estou apenas impedindo que a droga entre na penitenciária. Se o médico acha que tem de operar, é com ele. Mas os detentos não entendem isso", disse o juiz, atribuindo a isso o aumento do descontentamento de alguns presos contra ele.

O magistrado afirmou que os líderes do movimento que pretendiam matá-lo já foram identificados, mas a investigação é sigilosa e os nomes não serão divulgados.

Soares declarou trabalhar na Vara de Execuções Criminais de Juiz de Fora há dez anos. Ele relembrou já ter sido ameaçado outras vezes, mas afirmou ter sido essa a primeira vez que tomou conhecimento de uma rebelião ser deflagrada como pano de fundo para tentar matá-lo. Apesar disso, ele não pretende sair da cidade.

"Eu não vou pedir transferência de jeito nenhum. Daqui não saio, daqui ninguém me tira", disse o magistrado, que conta com a proteção de policiais militares e afirmou ter tomado algumas precauções, no entanto, sem mudar a rotina diária.

Um inquérito policial foi aberto pela Polícia Civil de Minas Gerais para investigar o caso. O juiz disse ter recebido suporte do Serviço de Apoio aos Magistrados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).
Rayder Bragon
UOL, em Belo Horizonte

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