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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

'Não consigo dormir', diz agente ferido em tentativa de fuga em presídio.

Servidor foi empurrado de uma altura de quase 5 metros.
Agente lembra momentos de tensão e critica condições de trabalho.

O agente penitenciário ferido no início da semana durante uma tentativa de fuga em massa no Pavilhão 'D' do presídio Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, recebeu alta na tarde de terça-feira (6). Ainda bastante debilitado, ele conta os momentos de tensão que viveu e reclama do quadro reduzido de agentes para realizar a segurança nos presídios.

Temendo represálias, o servidor prefere ser identificado apenas por M.B.M. Empurrado de cima da guarita, de onde fazia sozinho a guarda de mais de 250 presos, o agente caiu de uma altura de quase 5 metros. "Eu só me lembro que eu tinha acabado de subir para a guarita e fiquei lá olhando os presos. De um lado, no pavilhão D, tinham por volta de 15 presos. No pavilhão E, 250 presos. De repente eles começaram a escalar", conta.

O agente relata que teve tempo ainda de efetuar dois disparos. "Depois disso eles já pegaram minha arma para desviar dos tiros. Vieram com ferros pra cima de mim, e eu vi que eram muitos presos. Para eles fugirem, tinham que passar por onde eu estava. Aí eles me empurram e eu não lembro de mais nada. Me acordei no Pronto-Socorro", lembra.

M.B.M passou por exames de raio X e tomografia, mas de acordo com os médicos, não foram diagnosticados fraturas graves, nem traumatismo craniano. Ainda assim, ele apresenta dificuldade para caminhar e sente dores no quadril. Além dos hematomas pelo corpo, a saúde psicológica está abalada. "Não consigo dormir direito. Foi um susto muito grande. Não paro de pensar naquela cena e de pensar que poderia estar morto", diz.

Problemas estruturais
O servidor critica o quadro reduzido de agentes que realizam o monitoramento dos presos, principalmente, durante os dias de visita. O que facilita a fuga. "Normalmente, são mais de 250 presos para um agente fazer a guarda. Mas nos dias de visita, são presos e familiares. Dá em torno de 1000 pessoas para apenas um servidor", reclama.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Acre, Adriano Marques, destaca a falta de equipamentos de segurança e afirma que está reivindicando a regulamentação de uma lei estadual que a trate questão. "Quando o sindicato cobra coletes e capacetes as pessoas ironizam e pensam que é brincadeira. Mas se o colega estivesse com o capacete aqui, teria amortecido melhor o impacto na cabeça", comenta.

Para Adriano, não somente o colete à prova de balas, mas também o anti-perfurante precisam ser utilizados pelos agentes. "Dentro do sistema penitenciário existem os 'estoques'. São ferros que os presos tiram da própria estrutura da cela, porque a estrutura é muito precária, não é concreto. Um colete balístico, até um canivete ultrapassa, imagina um estoque. A tecnologia dele é para amortecer o impacto de um tiro e não de um objeto cortante", explica.

Iapen rebate acusações
Procurado pelo G1, o diretor do Instituito de Administração Penitenciária (Iapen), Dirceu Augusto, disse que já informou ao governo estadual sobre as dificuldades da unidade, como efetivo reduzido e a necessidade de equipamentos de segurança. Ele explica que os processos para realizar licitações e a contratação de efetivo são burocráticos e dependem de outros órgãos governamentais.

O diretor também advertiu que um efetivo maior não iria impedir o acidente que ocorreu com o agente na última segunda-feira (5). "O que aconteceu independe da quantidade de agentes penitenciários em serviço, porque na guarita sempre fica apenas um servidor", disse.
Rayssa Natani
Do G1 Acre

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